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Luxemburgo | Resolução da Assembleia da República
n.º 6/94, de 5 de Fevereiro: Convenção
Relativa ao Auxílio Judiciário em Matéria
de Direito de Guarda e de Direito de Visita (assinada em 12-06-1992)
Aprova, para ratificação,
a Convenção entre a República Portuguesa
e o Grão-Ducado do Luxemburgo Relativa ao Auxílio
Judiciário em Matéria de Direito de Guarda e
de Direito de Visita
A Assembleia da República resolve,
nos termos dos artigos 164.º, alínea j), e 169.º,
n.º 5, da Constituição, aprovar, para ratificação,
a Convenção entre a República Portuguesa
e o Grão-Ducado do Luxemburgo Relativa ao Auxílio
Judiciário em Matéria de Direito de Guarda e
de Direito de Visita, assinada em Lisboa em 12 de Junho de
1992, cujos originais em língua portuguesa e francesa
seguem em anexo.
Aprovada em 4 de Novembro de 1993.
O Presidente da Assembleia da República,
António Moreira Barbosa de Melo.
CONVENÇÃO ENTRE A REPÚBLICA
PORTUGUESA E O GRÃO-DUCADO DO LUXEMBURGO RELATIVA AO
AUXÍLIO JUDICIÁRIO EM MATÉRIA DE DIREITO
DE GUARDA E DE DIREITO DE VISITA
O Governo da República Portuguesa
e o Governo do Grão-Ducado do Luxemburgo:
Reconhecendo a importância das relações
pessoais e familiares entre os nacionais dos dois Estados;
Desejando estabelecer uma estreita cooperação
entre as autoridades judiciárias e administrativas
dos dois Estados para melhor assegurar a protecção
das crianças, aperfeiçoando as disposições
das convenções multilaterais já elaboradas
nesta matéria;
Conscientes de que o interesse dos menores
é o de não serem ilicitamente deslocados ou
retidos e o de manterem relações pacíficas
e regulares com os pais;
decidiram concluir, com estes objectivos,
a presente Convenção.
CAPÍTULO I
Disposições
gerais
Artigo 1.º
1 - As autoridades competentes dos dois
Estados, quer judiciárias quer administrativas, comprometem-se
a promover um auxílio mútuo e a desenvolver
a cooperação no domínio do direito de
guarda e do direito de visita.
2 - A presente Convenção tem por objectivo:
a) Reconhecer e executar as decisões judiciárias
relativas à guarda e ao direito de visita proferidas
num dos Estados Contratantes;
b) Facilitar o livre exercício do direito de visita
no território dos dois Estados;
c) Assegurar o regresso dos menores ilicitamente deslocados
ou retidos num dos Estados Contratantes.
3 - Os Estados Contratantes tomam todas as medidas adequadas
para assegurar a realização dos objectivos da
Convenção. Para o efeito, recorrem aos processos
de urgência previstos na presente Convenção.
Artigo 2.º
A presente Convenção aplica-se
a todos os litígios em que exista um elemento de conexão
internacional, relativos a um menor de 16 anos, qualquer que
seja a sua nacionalidade, que não tenha o direito de
fixar residência por si próprio, nos termos da
lei da sua residência habitual ou da sua nacionalidade
ou nos termos da lei interna do Estado requerido.
Artigo 3.º
1 - a) Os tribunais do Estado da residência habitual
do menor são os únicos competentes para conhecer
das questões em matéria de direito de guarda
e de direito de visita, excepto no âmbito de um processo
de divórcio ou de separação judicial
de pessoas e bens.
b) O tribunal competente aplica directamente a sua lei interna,
sem recurso às normas de conflito.
2 - O tribunal chamado a pronunciar-se sobre uma questão
em violação do n.º 1 declara-se, oficiosamente
e em qualquer momento, incompetente para conhecer da questão.
3 - Para efeito do disposto no n.º
1, não há mudança da residência
habitual:
a) Quando do exercício do direito de visita, mesmo
que este exercício tenha lugar fora do Estado da
residência do menor;
b) No caso de deslocação ilícita do
menor.
Artigo 4.º
1 - A Direcção-Geral dos
Serviços Tutelares de Menores, do Ministério
da Justiça, relativamente a Portugal, e o Procurador-Geral
do Estado, relativamente ao Luxemburgo, são designados
como autoridades centrais, encarregadas de dar cumprimento
ao disposto na presente Convenção.
2 - Para este efeito as autoridades centrais comunicam directamente
entre si e participam, sempre que necessário, os casos
ou situações que lhes forem transmitidos às
respectivas autoridades competentes.
3 - a) A autoridade central requerida pode recusar a sua
intervenção quando as condições
exigidas na presente Convenção não
se encontrem reunidas.
b) A mesma autoridade tem obrigação de agir
quando a sua intervenção for solicitada pela
outra autoridade central.
4 - Nenhuma disposição da presente Convenção
obsta a que as autoridades judiciárias dos dois Estados
comuniquem directamente entre si.
Artigo 5.º
1 - Os pedidos formulados ao abrigo da
presente Convenção são dirigidos à
autoridade central de qualquer dos dois países.
2 - A autoridade central toma ou providencia para que sejam
tomadas, quer directamente quer em colaboração
com outras autoridades ou serviços públicos,
todas as medidas adequadas para:
a) Localizar o menor a que respeite o pedido;
b) Evitar novos perigos ao menor e nomeadamente a sua deslocação
para o território de um terceiro Estado;
c) Facilitar, se for caso disso, uma solução
por acordo e assegurar a entrega voluntária do menor;
d) Prestar informações sobre a situação
do menor;
e) Assegurar o repatriamento do menor.
3 - Sendo caso disso, a autoridade central intenta, por intermédio
do Ministério Público junto da jurisdição
competente, acção judicial ao abrigo da presente
Convenção. No Luxemburgo, a autoridade central
pode igualmente recorrer aos serviços de um advogado.
4 - Em qualquer caso e com a finalidade de evitar novo perigo
para o menor ou prejuízo para as partes interessadas,
podem ser tomadas quaisquer medidas provisórias, mesmo
não contraditórias.
5 - A presente Convenção não obsta a
que qualquer pessoa interessada possa demandar directamente
as autoridades judiciárias competentes dos dois Estados
Contratantes e intervir em qualquer fase do processo.
Artigo 6.º
1 - As autoridades centrais comunicam
entre si na respectiva língua nacional, formulando,
sempre que necessário, pedidos de tradução
de documentos processuais e demais documentos provenientes
das autoridades judiciárias do Estado requerido.
2 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte,
as autoridades centrais podem transmitir às suas autoridades
judiciárias documentos processuais e outros documentos
não traduzidos.
3 - As autoridades judiciárias podem solicitar às
autoridades centrais as traduções consideradas
indispensáveis, mas aceitam, sem outras formalidades,
as que lhes forem transmitidas por estas autoridades.
Artigo 7.º
1 - Quando o pedido é formulado
por intermédio de uma autoridade central, não
será exigido ao requerente qualquer pagamento pelas
medidas tomadas no Estado requerido, com excepção
das despesas de repatriamento.
2 - Em caso de necessidade, as despesas de repatriamento serão
adiantadas pelo Estado requerente.
3 - As custas e despesas do processo ficam a cargo do Estado
requerido; no Luxemburgo as despesas decorrentes da participação
de um advogado designado pela autoridade central, se a ela
houver lugar, ficam integralmente a cargo do Estado.
Artigo 8.º
1 - É criada uma comissão mista consultiva,
composta por representantes do Ministério dos Negócios
Estrangeiros e do Ministério da Justiça de cada
um dos dois Estados e, relativamente a Portugal, de representantes
do departamento encarregado dos assuntos relativos às
comunidades portuguesas.
2 - a) A esta comissão compete facilitar a aplicação
da presente Convenção, propor as alterações
que considere adequadas à melhor eficácia
da mesma, bem como contribuir para a resolução
dos problemas mais complexos que vierem a ser submetidos
às autoridades centrais.
b) A comissão pode igualmente examinar outras questões
relacionadas com a protecção da pessoa ou
dos bens dos menores e propor a elaboração
de outras convenções que considere úteis.
3 - Esta comissão reúne alternada e periodicamente
em Portugal e no Luxemburgo, por iniciativa de qualquer dos
Estados.
CAPÍTULO II
Regresso imediato
Artigo 9.º
1 - A deslocação de um menor
é considerada ilícita quando tenha ocorrido
em violação:
a) De um direito de guarda atribuído a uma pessoa,
só ou conjuntamente com outra, ou a uma instituição,
pela lei do Estado onde o menor tinha a sua residência
habitual imediatamente antes da sua deslocação;
ou
b) De uma decisão judicial executória proferida
pela jurisdição competente, nos termos do
disposto no artigo 3.º; ou
c) De um acordo entre as partes interessadas homologado
por uma autoridade judiciária de um dos Estados Contratantes.
2 - Considera-se igualmente como deslocação
ilícita o não regresso do menor se, designadamente,
a pessoa que obteve a autorização de levar o
menor o não restituir, uma vez expirado o prazo fixado
para o exercício do direito de visita.
Artigo 10.º
1 - São competentes para proferir
decisão sobre o regresso imediato:
Em Portugal, o juiz do tribunal de 1.ª
instância;
No Luxemburgo, o presidente do tribunal de arrondissement;
na jurisdição em que o menor se encontra ou
se presume encontrar-se.
Decidem, em processo de acção tutelar comum
em Portugal e em processo de référé no
Luxemburgo, através de uma decisão executória,
independentemente de recurso.
2 - O exercício da acção de regresso
imediato do menor não está subordinado ao reconhecimento
e à execução de uma decisão judicial
no Estado requerido.
Artigo 11.º
1 - O pedido tendente ao regresso imediato
deve ser acompanhado, se for o caso:
a) De uma cópia da decisão que preencha os
requisitos necessários de autenticidade;
b) Quando se trate de uma decisão proferida à
revelia, do original ou de uma cópia autenticada
do documento comprovativo de que o acto de propositura da
acção ou um acto equivalente foi comunicado
ou notificado à parte revel;
c) De documento comprovativo de que, segundo a lei do Estado
de origem, a decisão é executória;
d) De documento comprovativo da competência territorial
da jurisdição que haja proferido a decisão
invocada.
2 - Na falta de apresentação destes documentos,
a autoridade judiciária do Estado requerido pode conceder
um prazo para a sua apresentação ou aceitar
um documento equivalente, ou ainda, se se achar devidamente
esclarecida, dispensar algum destes documentos.
Artigo 12.º
1 - Se o pedido de regresso, após
a deslocação ilícita do menor, for formulado
no prazo de seis meses junto das autoridades centrais ou das
autoridades judiciárias de um dos Estados Contratantes,
a autoridade judiciária requerida deve ordenar o seu
regresso imediato.
2 - A autoridade judiciária não é, no
entanto, obrigada a ordenar o regresso do menor, se a pessoa
que deslocou ou reteve o menor provar que, no momento da violação
invocada, a pessoa a quem tinha sido confiada a guarda antes
da deslocação não exercia, efectivamente,
o direito de guarda sobre o menor.
3 - A decisão sobre o regresso do menor não
afecta o fundo do direito de guarda.
Artigo 13.º
Se o pedido de regresso for apresentado
decorrido o prazo de seis meses, a autoridade judiciária
ordena o regresso do menor nas mesmas condições,
salvo se se provar que o menor se encontra integrado no seu
novo ambiente. No quadro da avaliação desta
questão, o juiz toma em conta a opinião do menor,
atendendo à sua idade e maturidade.
Artigo 14.º
Se as jurisdições do Estado
para onde o menor foi deslocado ou em que foi retido forem
simultaneamente chamadas a conhecer de um pedido de regresso
imediato e de um outro pedido relativo à guarda, o
juiz a quem cabe apreciar este último deve abster-se
de decidir até que seja proferida uma decisão
definitiva sobre o regresso imediato.
CAPÍTULO III
Reconhecimento e execução
das decisões judiciais
Artigo 15.º
As decisões proferidas no Estado
requerente e que nele sejam executórias são
declaradas executórias no Estado requerido, a pedido
quer do Ministério Público quer da pessoa interessada.
Artigo 16.º
O reconhecimento e a execução
de uma decisão judicial executória no território
do Estado requerente proferida na ausência do réu
ou do seu representante legal só podem ser recusados
se:
a) O acto de propositura da acção ou um acto
equivalente não foi comunicado ou notificado ao requerido
regularmente e em tempo útil, para que este possa
defender-se; contudo, esta falta de comunicação
ou notificação não poderá constituir
fundamento de recusa do reconhecimento ou da execução
quando a comunicação ou notificação
não tiver sido levada a efeito por o réu ter
dissimulado o local onde se encontra a pessoa que moveu
a acção;
b) A jurisdição que proferiu a decisão
for incompetente por força do disposto no artigo
3.º
Artigo 17.º
Se, no entanto, o reconhecimento e a execução
das decisões judiciárias mencionadas no artigo
15.º forem pedidos à autoridade central ou à
autoridade judiciária do Estado requerido, decorrido
o prazo de seis meses após a deslocação
do menor, poderão aqueles ser recusados não
só pelos motivos previstos no artigo 16.º, mas
também se se constatar que, em face da alteração
de circunstâncias, incluindo o decurso do tempo, mas
excluindo a mera mudança de residência do menor
na sequência de uma deslocação, o menor
se integrou no seu novo ambiente.
Artigo 18.º
1 - O pedido é apresentado:
Em Portugal, ao juiz do tribunal de 1.ª
instância competente para verificar as condições
do artigo 16.º e confirmar as decisões;
No Luxemburgo, ao presidente do tribunal de arrondissement;
na área de jurisdição
onde tem residência a parte contra quem é instaurada
a execução ou, na sua falta, na qual a execução
é instaurada.
2 - Na ausência de elementos para fixar a competência
territorial, o tribunal competente em Portugal será
o de Lisboa e no Grão-Ducado do Luxemburgo será
o do Luxemburgo.
Artigo 19.º
O pedido tendente ao reconhecimento e
execução de uma decisão relativa à
guarda deve ser acompanhado:
a) De uma cópia de decisão que preencha os
requisitos necessários de autenticidade;
b) Quando se trate de uma decisão proferida à
revelia, do original ou de uma cópia autenticada
do documento comprovativo de que o acto de propositura da
acção ou um acto equivalente foi comunicado
ou notificado à parte revel;
c) De documento comprovativo de que, segundo a lei do Estado
de origem, a decisão é executória;
d) Se for o caso, de documento comprovativo da competência
territorial da jurisdição competente que haja
proferido a decisão.
Artigo 20.º
1 - A jurisdição em que
o pedido é deduzido decide, sem demora, sem que a parte
contra a qual a execução é instaurada
possa, nesta fase do processo, apresentar qualquer observação.
2 - O pedido apenas pode ser indeferido com fundamento num
dos motivos previstos nos artigos 16.º e 17.º
3 - A decisão estrangeira não
pode, em caso algum, ser objecto de uma revisão de
fundo.
Artigo 21.º
A decisão é de imediato
levada ao conhecimento do requerente:
Em Portugal, através do oficial de justiça;
No Luxemburgo, através do greffier;
de acordo com as modalidades estabelecidas
na lei do Estado requerido.
Artigo 22.º
1 - No caso de a execução
ser autorizada:
a) A decisão fixa o prazo, que não pode ser
superior a 15 dias, dentro do qual a notificação
da decisão, em Portugal, ou a sua citação,
no Luxemburgo, devem ser efectuadas, sob pena de caducidade;
b) A parte contra a qual a execução é
deduzida pode recorrer da decisão, dentro de oito
dias a contar da notificação, em Portugal,
ou da citação, no Luxemburgo.
2 - O recurso é interposto, de acordo com as regras
do processo contraditório, perante o tribunal de relação,
em Portugal, ou perante a Cour d'Appel, no Luxemburgo.
3 - Durante o prazo para a interposição do recurso
previsto no n.º 1 e até que sobre ele seja proferida
decisão, apenas se poderão adoptar medidas provisórias.
4 - A decisão proferida sobre o recurso apenas é
susceptível, em Portugal, de recurso para o Supremo
Tribunal de Justiça e, no Luxemburgo, de pourvoi en
cassation.
Artigo 23.º
1 - No caso de o pedido ser indeferido,
poderá ser interposto recurso, pelo requerente ou pelo
Ministério Público, junto do tribunal de relação
ou da Cour d'Appel, no período de um mês a contar
da notificação prevista no artigo 21.º
2 - A parte contra a qual a execução é
deduzida é chamada à acção.
3 - A decisão proferida sobre o recurso apenas é
susceptível, em Portugal, de recurso para o Supremo
Tribunal de Justiça e, no Luxemburgo, de pourvoi en
cassation.
Artigo 24.º
No caso de a decisão de que se
pede o reconhecimento e a execução conter várias
disposições, só se considera compreendida
no âmbito da presente Convenção a parte
da decisão relativa ao direito de guarda, ao direito
de visita e respectivas modalidades de exercício.
CAPÍTULO IV
Direito de visita
Artigo 25.º
1 - O pedido tendente à organização
ou protecção do exercício do direito
de visita pode ser dirigido à autoridade central.
2 - As disposições de uma decisão judicial
relativa ao direito de visita são reconhecidas e executadas
nas mesmas condições que as decisões
relativas à guarda.
Artigo 26.º
A autoridade central:
a) Toma ou providencia para que sejam tomadas as medidas
adequadas para, na medida do possível, remover os
obstáculos ao exercício pacífico do
direito de visita;
b) Se for o caso, requer à jurisdição
competente que organize ou proteja o direito de visita;
essa jurisdição pode fixar as modalidades
da execução e do exercício do direito
de visita;
c) Se for o caso, requer à jurisdição
competente que decida sobre o direito de visita, a pedido
da pessoa que invoca este direito, quando o direito de visita
não se encontrar regulado ou quando o reconhecimento
ou a execução da decisão relativa à
guarda for recusada.
Artigo 27.º
O progenitor que não detém
a guarda do menor e que se encontre na impossibilidade de
entrar no Estado de residência habitual deste pode sempre
requerer uma alteração do regime do direito
de visita, de forma que esta situação possa
ser tomada em conta.
CAPÍTULO V
Disposições
finais
Artigo 28.º
1 - A presente Convenção
substitui a Convenção Europeia sobre Reconhecimento
e a Execução das Decisões Relativas à
Guarda de Menores e sobre o Restabelecimento da Guarda de
Menores, concluída no Luxemburgo em 20 de Maio de 1980,
e a Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto
Internacional de Crianças, concluída na Haia
em 25 de Outubro de 1980.
2 - A presente Convenção permite que entre os
dois Estados Contratantes se mantenham as disposições
da Convenção da Haia, de 5 de Outubro de 1961,
Relativa à Competência das Autoridades e à
Lei Aplicável em Matéria de Protecção
de Menores, na medida em que tais disposições
não sejam incompatíveis com as da presente Convenção.
Artigo 29.º
1 - Cada uma das Partes notificará
a outra de terem sido cumpridas as formalidades constitucionais
requeridas para a entrada em vigor da presente Convenção.
Esta entrará em vigor no 1.º dia do 2.º mês
após a data da recepção da última
notificação.
2 - As disposições relativas ao regresso imediato
apenas se aplicam às deslocações ilícitas
verificadas após a entrada em vigor da presente Convenção.
Artigo 30.º
A presente Convenção é
válida por tempo indeterminado, podendo ser denunciada
a todo o tempo por qualquer dos dois Estados. A denúncia
produzirá efeito seis meses após a data de recepção
da respectiva notificação pelo outro Estado.
Feita em Lisboa em 12 de Junho de 1992, em dois exemplares,
em língua portuguesa e francesa, fazendo os dois textos
igualmente fé.
Pelo Governo da República Portuguesa:
Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio.
Pelo Governo do Grão-Ducado do
Luxemburgo:
Marc Fischbach.
CONVENTION ENTRE LA RÉPUBLIQUE PORTUGAISE ET LE GRAND-DUCHÉ
DU LUXEMBOURG RELATIVE À L'ENTRAIDE JUDICIAIRE EN MATIÈRE
DE DROIT DE GARDE ET DE DROIT DE VISITE
Le Gouvernement de la République
Portugaise et le Gouvernement du Grand-Duché du Luxembourg:
Constatant l'importance des relations
personnelles et familiales entre leurs ressortissants;
Désireux d'établir une coopération
étroite entre leurs autorités judiciaires et
administratives pour mieux assurer la protection des enfants
en améliorant les dispositions des Conventions multilatérales
déjà élaborées en la matière;
Convaincus que l'intérêt
des enfants est de ne pas être déplacés
ou retenus illicitement et de maintenir des relations paisibles
et régulières avec leurs parents;
ont résolu de conclure à
cet effet la présente Convention.
CHAPITRE I
Dispositions générales
Article premier
1 - Les autorités compétentes,
judiciaires et administratives, des deux États s'engagent
à s'accorder une entraide mutuelle et à développer
leur concertation dans le domaine du droit de garde et du
droit de visite.
2 - La présente Convention a pour objet:
a) De faire reconnaître et exécuter les décisions
judiciaires relatives à la garde et au droit de visite
rendues dans un État contractant;
b) De favoriser le libre exercice du droit de visite sur
le territoire des deux États;
c) D'assurer le retour des enfants déplacés
ou retenus illicitement dans un État contractant.
3 - Les États contractants prennent toutes mesures
appropriées pour assurer la réalisation des
objectifs de la Convention. À cet effet, ils recourent
aux procédures d'urgence prévues par la présente
Convention.
Article 2
La présente Convention s'applique
à tous les litiges de caractère international
concernant un enfant âgé de moins de 16 ans,
quelle que soit sa nationalité, qui n'a pas le droit
de fixer lui-même sa résidence selon la loi de
sa résidence habituelle ou de sa nationalité
ou selon la loi interne de l'État requis.
Article 3
1 - a) Les tribunaux de l'État
de la résidence habituelle de l'enfant sont seuls compétents
pour statuer en matière de droit de garde et de droit
de visite, sauf dans le cadre d'une procédure en divorce
ou en séparation de corps.
b) Le tribunal compétent applique directement sa loi
interne, sans avoir recours aux normes de conflits.
2 - Le tribunal saisi d'une instance en violation du paragraphe
1 se prononce d'office et à tout moment incompétent
pour en connaître.
3 - Aux fins du paragraphe 1, il n'y a pas changement de la
résidence habituelle:
a) Lors de l'exercice du droit de visite, même si
cet exercice a lieu en dehors de l'État de la résidence
de l'enfant;
b) En cas de déplacement illicite de l'enfant.
Article 4
1 - Le Procureur Général
d'État, en ce qui concerne le Luxembourg, et la Direction
Générale des Services Tutélaires des
Mineurs, du Ministère de la Justice, en ce qui concerne
le Portugal, sont désignés comme autorités
centrales, chargées de satisfaire aux obligations de
la présente Convention.
2 - À cet effet les autorités centrales communiquent
directement entre elles et saisissent, le cas échéant,
leurs autorités compétentes.
3 - a) L'autorité centrale saisie peut refuser son
intervention lorsque les conditions requises par la présente
Convention ne sont pas réunies.
b) Elle a l'obligation d'agir lorsqu'elle est saisie par
l'autre autorité centrale.
4 - Aucune disposition de la présente Convention ne
fait obstacle à ce que les autorités judiciaires
des deux États communiquent directement entre elles.
Article 5
1 - Les demandes basées sur la
présente Convention sont adressées à
l'autorité centrale de l'un ou de l'autre pays.
2 - L'autorité centrale prend ou fait prendre soit
directement soit avec la collaboration d'autres autorités
ou services publics toute mesure appropriée pour:
a) Localiser l'enfant concerné par la demande;
b) Éviter de nouveaux dangers pour l'enfant et notamment
son déplacement vers le territoire d'un État
tiers;
c) Faciliter, s'il y a lieu, une solution amiable et assurer
la remise volontaire de l'enfant;
d) Fournir des informations sur la situation de l'enfant;
e) Assurer le repatriement de l'enfant.
3 - S'il y a lieu, l'autorité centrale
fait introduire, par l'intermédiaire du ministère
public près la juridiction compétente, toute
procédure judiciaire fondée sur la présente
Convention. Au Luxembourg, l'autorité centrale peut
également faire appel à un avocat.
4 - Dans tous les cas, afin d'éviter un nouveau danger
pour l'enfant ou un préjudice pour les parties concernées,
toutes mesures provisoires, même non contradictoires,
peuvent être prises.
5 - La présente Convention ne fait pas obstacle à
la faculté pour toute personne intéressée
de saisir directement les autorités judiciaires compétentes
des deux États contractants et d'intervenir à
tout moment de la procédure.
Article 6
1 - Les autorités centrales communiquent
entre elles dans leur langue nationale. Elles se transmettent,
le cas échéant, les demandes de traduction de
pièces émanant des autorités judiciaires
de l'État requis.
2 - Sans préjudice des dispositions du paragraphe suivant,
les autorités centrales peuvent transmettre à
leurs autorités judiciaires des pièces procédurales
et autres documents non traduits.
3 - Les autorités judiciaires peuvent solliciter des
autorités centrales les traductions considérées
indispensables mais acceptent, sans autres formalités,
celles qui leur sont transmises par ces autorités.
Article 7
1 - Lorsque la demande est introduite
à l'intervention d'une autorité centrale, il
ne sera exigé du requérant aucun paiement pour
les mesures prises dans l'État requis, à l'exception
des frais de repatriement.
2 - Au besoin les frais de repatriement seront avancés
par l'État requérant.
3 - Les frais et dépens du procès sont à
charge de l'État requis; au Luxembourg les frais entraînés,
le cas échéant, par la participation d'un avocat
désigné par l'autorité centrale seront
intégralement pris en charge par l'État.
Article 8
1 - Il est créé une commission mixte consultative,
composée de représentants du Ministère
des Affaires Étrangères et du Ministère
de la Justice de chacun des deux États et, en ce qui
concerne le Portugal, de représentants du département
chargé des affaires relatives aux communautés
portugaises.
2 - a) Cette commission est chargée de faciliter
l'application de la présente Convention, de proposer
toute modification qu'elle jugera oportune pour améliorer
son efficacité et de contribuer au règlement
des problèmes les plus difficiles qui seront soumis
aux autorités centrales.
b) La commission peut aussi examiner d'autres questions
ayant trait à la protection de la personne ou des
biens des enfants et proposer l'élaboration d'autres
conventions qu'elle jugerait utiles.
3 - Cette commission se réunira alternativement et
périodiquement au Luxembourg et au Portugal, à
l'initiative de l'un ou de l'autre État.
CHAPITRE II
Retour immédiat
Article 9
1 - Le déplacement d'un enfant
est considéré comme illicite lorsqu'il a lieu
en violation:
a) D'un droit de garde attribué à une personne,
seule ou conjointement avec une autre, ou à une institution,
par le droit de l'État dans lequel l'enfant avait
sa résidence habituelle immédiatement avant
son déplacement; ou
b) D'une décision judiciaire exécutoire rendue
par la juridiction compétente en vertu de l'article
3; ou
c) D'un accord entre les parties concernées et homologué
par une autorité judiciaire de l'un des deux États
contractants.
2 - Est également considéré comme déplacement
illicite le non-retour d'un enfant, si, notamment, la personne
qui a obtenu l'autorisation d'emmener l'enfant ne le restitue
pas à l'expiration de la période fixée
pour l'exercice du droit de visite.
Article 10
1 - Sont compétents pour statuer
sur le retour immédiat:
Au Luxembourg, le président du tribunal d'arrondissement;
Au Portugal, le juge du tribunal de première instance;
dans la juridiction duquel l'enfant se
trouve ou est présumé se trouver.
Il statue comme en matière de référé
au Luxembourg et comme en matière d'action tutélaire
ordinaire au Portugal par une décision exécutoire
nonobstant appel.
2 - L'exercice de l'action en retour immédiat de l'enfant
n'est pas subordonné à la reconnaissance et
à l'exécution d'une décision judiciaire
dans l'État requis.
Article 11
1 - La demande tendant au retour immédiat
doit être accompagnée, s'il y a lieu:
a) D'une expédition de la décision réunissant
les conditions nécessaires à son authenticité;
b) S'il s'agit d'une décision par défaut,
de l'original ou d'une copie certifiée conforme du
document établissant que l'acte introductif d'instance
ou un acte équivalent a été signifié
ou notifié à la partie défaillant;
c) De tout document de nature à établir que,
selon la loi de l'État d'origine, la décision
est exécutoire;
d) De tout document de nature à établir la
compétence territoriale de la juridiction ayant rendu
la décision invoquée.
2 - À défaut de production
de ces documents l'autorité judiciaire de l'État
requis peut impartir un délai pour les produire ou
accepter un document équivalent ou, si elle s'estime
suffisamment éclairée, en dispenser.
Article 12
1 - Lorsque la demande de retour après
déplacement illicite de l'enfant est formulée
dans un délai de six mois auprès des autorités
centrales ou des autorités judiciaires d'un des États
contractants, l'autorité judiciaire saisie doit ordonner
son retour immédiat.
2 - Toutefois l'autorité judiciaire n'est pas tenue
d'ordonner le retour de l'enfant si la personne qui a déplacé
ou retenu l'enfant établit qu'à l'époque
de la violation invoquée la personne à qui la
garde avait été confiée avant le déplacement
n'exerçait pas effectivement le droit de garde sur
l'enfant.
3 - Une décision sur le retour de l'enfant n'affecte
pas le fond du droit de garde.
Article 13
Lorsque la demande de retour est formulée
après l'expiration d'un délai de six mois, l'autorité
judiciaire ordonne le retour de l'enfant dans les mêmes
conditions, à moins qu'il ne soit établi que
l'enfant s'est intégré dans son nouveau milieu.
Dans le cadre de l'évaluation de cette question, le
juge tient compte de l'avis de l'enfant selon son âge
et sa maturité.
Article 14
Lorsque les juridictions de l'État
où l'enfant a été déplacé
ou retenu sont saisies, à la fois, d'une demande en
retour immédiat, et d'une autre demande relative à
la garde, le juge saisi de cette dernière doit surseoir
à statuer jusqu'à ce qu'une décision
définitive soit intervenue sur le retour immédiat.
CHAPITRE III
Reconnaissance et exécution
des décisions judiciaires
Article 15
Les décisions rendues dans l'État
requérant et qui y sont exécutoires sont déclarées
exécutoires dans l'État requis sur demande soit
du ministère public soit de la personne qui y a intérêt.
Article 16
La reconnaissance et l'exécution
d'une décision judiciaire exécutoire sur le
territoire de l'État requérant rendue en l'absence
du défendeur ou de son représentant légal
ne peut être refusée, que si:
a) L'acte introductif d'instance ou un
acte équivalent n'a pas été signifié
ou notifié au défendeur régulièrement
et en temps utile pour qu'il puisse se défendre; toutefois,
cette absence de signification ou de notification ne saurait
constituer une cause de refus de reconnaissance ou d'exécution
lorsque la signification ou la notification n'a pas eu lieu
parce que le défendeur a dissimulé l'endroit
où il se trouve à la personne qui a engagé
la procédure;
b) La juridiction était incompétente
en vertu de l'article 3.
Article 17
Toutefois, lorsque la reconnaissance et
l'exécution des décisions judiciaires mentionnées
à l'article 15 sont demandées à l'autorité
centrale ou à l'autorité judiciaire de l'État
requis après l'écoulement d'un délai
de six mois à partir du déplacement de l'enfant,
elles peuvent être refusées non seulement pour
les motifs prévus à l'article 16, mais également
s'il est constaté qu'en raison de changements de circonstances
incluant l'écoulement du temps mais excluant le seul
changement de résidence de l'enfant à la suite
d'un déplacement l'enfant s'est intégré
dans son nouveau milieu.
Article 18
1 - La requête est présentée:
Au Luxembourg, au président du
tribunal d'arrondissement;
Au Portugal, au juge du tribunal de première instance
qui est compétent pour vérifier les conditions
de l'article 16 et confirmer les décisions;
dans le ressort duquel la partie contre
laquelle l'exécution est poursuivie a sa résidence
ou, à défaut, dans lequel l'exécution
est poursuivie.
2 - En l'absence d'éléments pour fixer la compétence
territoriale, le tribunal compétent au Grand-Duché
du Luxembourg sera celui de Luxembourg et au Portugal celui
de Lisbonne.
Article 19
La demande tendant à la reconnaissance
et l'exécution d'une décision relative à
la garde doit être accompagnée:
a) D'une expédition de la décision réunissant
les conditions nécessaires à son authenticité;
b) S'il s'agit d'une décision par défaut,
de l'original ou d'une copie certifiée conforme du
document établissant que l'acte introductif d'instance
ou un acte équivalent a été signifié
ou notifié à la partie défaillante;
c) De tout document de nature à établir que,
selon la loi de l'État d'origine, la décision
est exécutoire;
d) Le cas échéant, de tout document de nature
à établir la compétence territoriale
de la juridiction compétente ayant rendu la décision.
Article 20
1 - La juridiction saisie de la requête
statue à bref délai, sans que la partie contre
laquelle l'exécution est demandée puisse, en
cet état de la procédure, présenter d'observation.
2 - La requête ne peut être rejetée que
pour l'un des motifs prévus aux articles 16 et 17.
3 - En aucun cas, la décision étrangère
ne peut faire l'objet d'une révision au fond.
Article 21
La décision est aussitôt
portée à la connaissance du requérant:
Au Luxembourg, à la diligence du greffier;
Au Portugal, à la diligence de l'oficial de justiça;
suivant les modalités déterminées
par la loi de l'État requis.
Article 22
1 - Si l'exécution est autorisée:
a) La décision fixe le délai, qui ne peut
être supérieur à 15 jours, dans lequel
la signification, au Luxembourg, ou la notification, au
Portugal, de la décision doit être effectuée
à peine de caducité;
b) La partie contre laquelle l'exécution est demandée
peut former un recours contre la décision dans les
huit jours de sa signification, au Luxembourg, ou de sa
notification, au Portugal.
2 - Le recours est porté, selon
les règles de la procédure contradictoire, devant
la Cour d'Appel, au Luxembourg, ou le Tribunal da Relação,
au Portugal.
3 - Pendant le délai du recours prévu à
l'alinéa première et jusqu'à ce qu'il
ait été statué sur celui-ci, il ne peut
être procédé qu'à des mesures provisoires.
4 - La décision rendue sur le recours ne peut faire
l'objet, au Luxembourg, que d'un pourvoi en cassation ou,
au Portugal, que d'un recours au Supremo Tribunal de Justiça.
Article 23
1 - Si la requête est rejetée,
un recours peut être porté par le requérant
ou le ministère public devant la Cour d'Appel ou le
Tribunal da Relação dans le mois de la notification
prévue à l'article 21.
2 - La partie contre laquelle l'exécution est demandée
est appelée en cause.
3 - La décision rendue sur le recours ne peut faire
l'objet, au Luxembourg, que d'un pourvoi en cassation, et,
au Portugal, que d'un recours au Supremo Tribunal de Justiça.
Article 24
Lorsque la décision dont la reconnaissance
et l'exécution sont demandées comporte plusieurs
dispositions, seule rentre dans le champ d'application de
la présente Convention la partie de cette décision
qui concerne le droit de garde, de visite et leurs modalités
d'exercice.
CHAPITRE IV
Droit de visite
Article 25
1 - Une demande tendant à l'organisation
ou la protection de l'exercice du droit de visite peut être
adressée à l'autorité centrale.
2 - Les dispositions d'une décision judiciaire concernant
le droit de visite sont reconnues et mises à exécution
dans les mêmes conditions que les décisions relatives
à la garde.
Article 26
L'autorité centrale:
a) Prend ou fait prendre les mesures appropriées
pour que soient levés, dans toute la mesure du possible,
les obstacles qui s'opposent à l'exercice paisible
du droit de visite;
b) S'il y a lieu, fait saisir la juridiction compétente
pour que soit organisé ou protégé le
droit de visite; cette juridiction peut fixer les modalités
de la mise en oeuvre et de l'exercice du droit de visite;
c) S'il y a lieu, fait saisir la juridiction compétente
pour qu'il soit statué sur le droit de visite, à
la demande de la personne invoquant ce droit, lorsqu'il
n'a pas été statué sur le droit de
visite ou lorsque la reconnaissance ou l'exécution
de la décision relative à la garde est refusée.
Article 27
Le parent qui n'a pas la garde et qui
se trouve dans l'impossibilité d'entrer dans l'État
de résidence habituelle de l'enfant peut toujours demander
une modification du droit de visite pour tenir compte de cette
situation.
CHAPITRE V
Dispositions finales
Article 28
1 - La présente Convention remplace
la Convention européenne sur la reconnaissance et l'exécution
des décisions en matière de garde des enfants
et le rétablissement de la garde des enfants, faite
à Luxembourg le 20 mai 1980, et la Convention sur les
aspects civils de l'enlèvement international d'enfants,
faite à La Haye le 25 octobre 1980.
2 - La présente Convention laisse subsister entre les
deux États contractants les dispositions de la Convention
de La Haye, du 5 octobre 1961, concernant la compétence
des autorités et la loi applicable en matière
de protection des mineurs, dans la mesure où elles
ne sont pas incompatibles avec celles de la présente
Convention.
Article 29
1 - Chacune des Parties notifiera à
l'autre l'accomplissement des procédures constitutionnelles
requises en ce qui la concerne pour l'entrée en vigueur
de la présente Convention. Celle-ci entrera en vigueur
le premier jour du deuxième mois suivant le jour de
la réception de la dernière notification.
2 - Les dispositions relatives au retour immédiat ne
s'appliquent qu'aux déplacements illicites intervenus
après l'entrée en vigueur de la présente
Convention.
Article 30
La présente Convention est conclue
pour une durée illimitée. Chacun des deux États
pourra à tout moment la dénoncer et cette dénonciation
prendra effet six mois après la date de la réception
de sa notification par l'autre État.
Fait à Lisbonne le 12 juin 1992, en double exemplaire,
en langue française et portugaise, les deux textes
faisant également foi.
Pour le Gouvernement de la République
Portugaise:
Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio.
Pour le Gouvernement du Grand-Duché
du Luxembourg:
Marc Fischbach.
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