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Mali | Decreto n.º 3/2000, de 6 de Março: Acordo
Geral de Cooperação
Nos termos da alínea c) do n.º
1 do artigo 197.º da Constituição, o Governo
decreta o seguinte:
Artigo ÚNICO
É aprovado, para assinatura, o
Acordo Geral de Cooperação entre a República
Portuguesa e a República do Mali, assinado em Lisboa
em 14 de Setembro de 1999, cujas versões autênticas
nas línguas portuguesa e francesa seguem em anexo.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros
de 13 de Janeiro de 2000. - António Manuel de Oliveira
Guterres - Luís Filipe Marques Amado - Jorge Paulo
Sacadura Almeida Coelho - Joaquim Augusto Nunes Pina Moura
- Joaquim Augusto Nunes Pina Moura - Eduardo Luís Barreto
Ferro Rodrigues - António Luís Santos Costa
- Luís Manuel Capoulas Santos - Catarina Marques de
Almeida Vaz Pinto - José Mariano Rebelo Pires Gago.
Assinado em 17 de Fevereiro de 2000. Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO. Referendado
em 18 de Fevereiro de 2000.
O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira
Guterres.
ACORDO GERAL DE COOPERAÇÃO ENTRE A REPÚBLICA
PORTUGUESA E A REPÚBLICA DO MALI
A República Portuguesa e a República
do Mali, abaixo denominadas "Partes Contratantes":
Conscientes dos laços de amizade e solidariedade que
unem os dois países; Interessadas em promover a cooperação
entre os dois países com vista ao seu desenvolvimento
social, cultural, científico, técnico e económico;
acordaram no que segue:
CAPÍTULO I
Disposições
gerais
Artigo 1.º
As Partes Contratantes comprometem-se
a desenvolver e a reforçar a cooperação
na base da igualdade, do interesse mútuo e do respeito
pela soberania de cada um dos dois Estados.
CAPÍTULO II
Domínios de cooperação
Artigo 2.º
As Partes Contratantes contribuirão
para reforçar os seus laços nos seguintes domínios
de cooperação:
Intercâmbio cultural, científico, técnico
e comercial;
Estudos e realização de projectos de desenvolvimento
económico e social;
Assistência em matéria de enquadramento técnico
e de execução dos projectos de desenvolvimento
em matéria de luta contra a pobreza;
Criação de empresas mistas industriais e
comerciais;
Formação de quadros;
Intercâmbio de missões de estudo e organização
de seminários de aperfeiçoamento em benefício
das ONG nacionais actuando nos domínios da luta contra
a pobreza;
Intercâmbio de informação e de documentação;
Participação, quando possível, em
feiras nacionais organizadas por cada uma das Partes Contratantes;
Cooperação no domínio da agricultura,
da silvicultura e da pesca;
Cooperação no domínio do transporte
marítimo e aéreo;
Cooperação nos domínios jurídico
e judiciário;
Qualquer outra forma de cooperação que possa
constituir objecto de acordo entre as Partes Contratantes.
Artigo 3.º
A realização dos principais
projectos nos domínios de cooperação
citados no artigo 2.º far-se-á no âmbito
de programas, acordos e contratos específicos.
Artigo 4.º
Com vista a promover o seu desenvolvimento
económico, científico, técnico, cultural
e social, as Partes Contratantes comprometem-se a criar, na
medida dos recursos disponíveis, as facilidades que
permitam às entidades competentes e às sociedades
de uma ou outra das Partes Contratantes desenvolver as actividades
no quadro do presente Acordo em condições favoráveis.
Nenhuma das Partes Contratantes submeterá,
no seu território, as entidades competentes ou as sociedades
da outra Parte Contratante, relativamente à actividade
que elas exerçam no quadro do presente Acordo, a um
tratamento menos favorável do que o concedido às
entidades competentes e às sociedades do seu país
ou às entidades competentes e às sociedades
de um país terceiro.
Artigo 5.º
Toda a pessoa agindo sob a autoridade
de uma Parte Contratante na execução de uma
obrigação no território da outra Parte
Contratante nos termos do presente Acordo ou dos protocolos,
contratos ou acordos separados e aferentes, limitará
as suas actividades no referido território unicamente
às questões relativas aos protocolos, acordos
e contratos e submeter-se-á às leis e regulamentos
em vigor no país hospedeiro.
CAPÍTULO III
Criação
da Comissão Mista de Cooperação
Artigo 6.º
É criada a Comissão Mista
Luso-Maliana de Cooperação. Ela será
composta de representantes dos dois países.
Artigo 7.º
A Comissão Mista Luso-Maliana de
Cooperação fica encarregue de zelar pela aplicação
do presente Acordo e de examinar os meios de promover e de
concretizar os domínios de cooperação
previstos no artigo 2.º do presente Acordo.
Artigo 8.º
A Comissão Mista Luso-Maliana de
Cooperação pode, em caso de necessidade, instituir
comissões ad hoc para o estudo e o prosseguimento de
questões específicas de interesse comum.
Artigo 9.º
O projecto de ordem do dia de cada sessão
será trocado previamente por via diplomática.
As conclusões da Comissão Mista serão
inscritas no processo verbal da reunião.
Artigo 10.º
A Comissão Mista, cuja coordenação
pertencerá ao Ministério dos Negócios
Estrangeiros português e ao seu homólogo do Mali,
reunir-se-á em princípio em cada dois anos,
alternadamente na República Portuguesa e na República
do Mali, ou quando uma das Partes Contratantes o solicitar.
Artigo 11.º
As Partes Contratantes podem designar
a qualquer momento, por escrito, qualquer outra agência
governamental para substituir os dois ministérios referidos
no artigo anterior.
Artigo 12.º
Nos demais encontros previstos no quadro
da Comissão Mista, as Partes Contratantes comprometem-se
igualmente a manter, no plano bilateral, consultas e encontros
regulares com o objectivo de conhecer as realidades respectivas
dos dois países e o estudo de questões específicas
de interesse comum.
CAPÍTULO IV
Disposições
finais
Artigo 13.º
O presente Acordo entrará em vigor
na data em que vier a ser recebida a última das notas
através das quais cada uma das Partes comunique à
outra que se encontram cumpridas as formalidades exigidas
para o efeito pela respectiva ordem jurídica interna.
Artigo 14.º
A validade do presente Acordo é
de três anos e será automaticamente prorrogada
por iguais períodos, salvo se qualquer das Partes o
denunciar por escrito com a antecedência de três
meses.
Artigo 15.º
Em caso de denúncia, as disposições
do presente Acordo mantêm-se aplicáveis aos programas
e aos projectos em execução.
Artigo 16.º
Qualquer diferendo quanto à interpretação
ou à aplicação do presente Acordo será
negociado por via diplomática.
Artigo 17.º
O presente Acordo só pode ser modificado
ou alterado de comum acordo.
Artigo 18.º
Cada Parte Contratante compromete-se a
preservar o carácter confidencial dos documentos, informações
ou doações recebidas ou a receber no âmbito
da realização do presente Acordo e apenas fornecerá
aqueles ou cópias dos mesmos a uma parte terceira com
a aprovação escrita da outra Parte Contratante.
Artigo 19.º
As disposições do presente
Acordo não porão em causa os acordos ou tratados
internacionais anteriormente assinados pelas Partes Contratantes.
Feito em Lisboa em 14 de Setembro de 1999, em dois originais
nas línguas portuguesa e francesa, fazendo ambos os
textos igualmente fé.
Pela República Portuguesa:
Pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís
Filipe Marques Amado.
Pela República do Mali:
O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades,
Modibo Sidibé.
ACCORD CADRE DE COOPERATION ENTRE LA REPUBLIQUE
PORTUGAISE ET LA REPUBLIQUE DU MALI
La République Portugaise, d'une
part, et la République du Mali, d'autre part, ci-après
dénommées les "Parties Contractantes":
Conscientes des liens d'amitié
et de solidarité unissant leurs deux pays;
Désireuses de développer et de promouvoir les
relations culturelles, scientifiques, techniques, économiques
et commerciales entre les deux pays, de multiplier et de renforcer
les liens d'amitié entre les peuples portugais et malien;
sont convenues de ce qui suit:
CHAPITRE I
Dispositions générales
Article 1
Les Parties Contractantes s'engagent à
développer et à renforcer la coopération
sur la base de l'égalité, de l'intérêt
mutuel et du respect de la souveraineté de chacun des
deux Etats.
CHAPITRE II
Domaines de coopération
Article 2
Les Parties Contractantes contribueront
à renforcer leurs liens dans les domaines de coopération
suivants:
Echange culturel, scientifique, technique et commercial;
Etudes et réalisations des projets de développement
économique et social;
Assistance en matière d'encadrement technique et
d'exécution des projets de développement en
matière de lutte contre la pauvreté;
Création d'entreprises mixtes industrielles et commerciales;
Formation des cadres;
Echange des missions d'études et organisation de
séminaires de perfectionnement au profit des ONG
nationales agissant dans les domaines de la lutte contre
la pauvreté;
Echange d'informations et de documentation;
Participation aux foires nationales organisées par
chaque Partie Contractante;
Coopération dans le domaine de l'agriculture, de
l'elevage et de la pêche;
Coopération dans le domaine du transport maritime
et aérien;
Coopération dans les domaines juridique et judiciaire;
Toute autre forme de coopération qui pourrait faire
d'accord entre les Parties Contractantes.
Article 3
La mise en uvre des principaux projets,
dans les domaines de coopération cités à
l'article 2, se fera dans le cadre de programmes, d'accords
et de contrats spécifiques.
Article 4
En vue de promouvoir leur développement
économique, scientifique, technique, culturel et social,
les Parties Contractantes s'engagent à créer,
dans la limite des ressources disponibles, les facilités
permettant aux ressortissants et sociétés de
l'une ou de l'autre des Parties Contractantes menant des activités
dans le cadre du présent Accord, d'évoluer dans
des conditions favorables.
Aucune des Parties Contractantes ne soumettra,
sur son territoire, les ressortissants ou sociétés
de l'autre Partie Contractante, par rapport à l'activité
qu'ils exercent dans le cadre du présent Accord, à
un traitement moins favorable que celui accordé à
ses propres ressortissants et sociétés ou aux
ressortissants et sociétés d'un pays tiers.
Article 5
Toute personne agissant sous l'autorité
d'une Partie Contractante dans l'exécution d'une obligation
sur le territoire de la Partie Contractante aux termes du
présent Accord ou des protocoles, contrats, ou accords
séparés y afférents limitera ses activités
sur ledit territoire, uniquement aux questions relatives aux
protocoles, accords, contrats et se conformera aux lois et
règlements en vigueur dans le pays hôte.
CHAPITRE III
Création de la
Commission Mixte de Coopération
Article 6
Il est créé une Commission
Mixte luso-malienne de Coopération. Elle sera composée
des représentants des deux pays.
Article 7
La Commission Mixte luso-malienne de Coopération
est chargée, en application du présent Accord,
d'examiner les moyens de promouvoir et de concrétiser
les domaines de la coopération prévus à
l'article 2 du présent Accord.
Article 8
La Commission Mixte luso-malienne de Coopération
peut, en cas de besoin, instituer des commissions ad hoc pour
l'étude et le suivi des questions spécifiques
d'intérêt commun.
Article 9
Le projet d'ordre du jour de chaque session
sera échangé par voie diplomatique avant le
début de cette session. Les conclusions de la Commission
Mixte seront consignées dans le procès-verbal
de la réunion.
Article 10
La Commission Mixte, dont la coordination
relève du Ministère des Affaires Etrangères
de la République Portugaise et du Ministère
des Affaires Etrangères et des Maliens de l'Extérieur
de la République du Mali, se réunira tous les
deux ans, alternativement en République Portugaise
et en République du Mali et chaque fois que l'une des
Parties en fera la demande.
Article 11
Les Parties Contractantes peuvent désigner
à tout moment, par écrit, toute autre agence
gouvernementale pour remplacer les deux ministères
cités à l'article précédent.
Article 12
En plus des rencontres prévues
dans le cadre de la Commission Mixte, les Parties Contractantes
s'engagent également à maintenir, sur le plan
bilatéral, des consultations et des rencontres régulières
ayant pour objectif la connaissance des réalités
respectives des deux pays et l'étude des questions
spécifiques d'intérêt commun.
CHAPITRE IV
Dispositions finales
Article 13
Le présent Accord entrera en vigueur
à la date de réception de la dernière
des notifications confirmant l'accomplissement des formalités
constitutionnelles requises par chacune des Parties Contractantes.
Article 14
La validité du présent Accord
est de trois ans renouvelables par tacite reconduction sauf
dénonciation par écrit par l'une des Parties.
Cette dénonciation ne prendra effet que trois mois
après notification effective à l'autre Partie.
Article 15
En cas de dénonciation, les dispositions
du présent Accord restent applicables aux programmes
et aux projets en cours d'exécution.
Article 16
Tout différend quant à l'interprétation
ou à l'application du présent Accord sera réglé
par la voie diplomatique.
Article 17
Le présent Accord ne peut être
modifié ou amendé que d'un commun accord.
Article 18
Chaque Partie Contractante s'engage à
préserver le caractère confidentiel des documents,
informations ou données reçues ou à recevoir
dans le cadre de la mise en oeuvre du présent Accord
et ne founira ceux-ci ou leurs copies à une partie
tierce qu'avec l'approbation écrite de l'autre Partie
Contractante.
Article 19
Les dispositions du présent Accord
ne remettent nullement en cause les Accords ou Traités
internationaux déjà signés par les Parties
Contractantes.
Fait à Lisbonne, le 14 septembre 1999, en deux originaux
en langues française et portugaise, chaque version
faisant également foi.
Pour la République Portugaise:
Pour le Ministre des Affaires Etrangères, Luís
Filipe Marques Amado.
Pour la République du Mali:
Le Ministre des Affaires Etrangères et des Maliens
de l'Extérieur, Modibo Sidibé.
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